sábado, 24 de novembro de 2012

Sugestão Cultural

Para aqueles que buscam um espaço cultural contemporâneo, onde música, artes visuais, teatro se conjugam , esta é uma sugestão : Matilha Cultural.  http://www.matilhacultural.com.br/

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Chegando ao Final

O final do ano letivo vem chegando, e as participações avaliativas vão até aqui. Como um espaço virtual de arte, cultura e entretenimento, vai continuar a contribuir de alguma maneira com sugestões artísticas.
E, para finalizar, deixo o link de um lançamento em HQ, divulgado pelo catraca livre.
http://catracalivre.folha.uol.com.br/2012/11/lancamento-do-quadrinho-desterro-de-ferrez-e-de-maio-na-hq-mix/

sábado, 10 de novembro de 2012

TEATRO

Esta linguagem fantástica da arte, que é representar a vida e obra de um outro artista sempre enriquece. Aqui fica mais uma sugestão para a construção dos saberes culturais.


A peça "Camille e Rodin" apresenta a história de amor dos escultores Camille Claudel e Auguste Rodin. Hoje,no Grande Auditório MASP
sexta, dia 09, sábado, dia 10 às 21h e domingo, dia 11, às 19h30. Ingressos: R$30/R$15, na bilheteria do MASP e também pelo site ingressorapido.com.br http://migre.me/b6U3p



sábado, 3 de novembro de 2012

Conhecendo nossos Artistas

Sugestão de lazer cultural é apreciar o filme Gonzaga de pai para Filho. Conhecer para poder construir significados e sentidos, e entender a poesia de artistas tão distintos.


sábado, 27 de outubro de 2012

Monas

Selecionei uma matéria da Revista BRAVO, edição mencionada abaixo, que além de falar sobre a exposição, também diz um pouco da vida do artista, suas sensações com a obra. Por isso, entendam que artista também nem sempre se satisfaz com o que produz.
Se pudesse, Nelson Leirner não organizaria vernissage para suas exposições. “As pessoas vêm me dar os parabéns. Parabéns por quê? Porque estou trabalhando?” Com jeitinho, a galerista Silvia Cintra parece ser a única ainda capaz de convencê-lo a cumprir esses quase deveres da profissão. “Virou emprego mesmo, né? Com regras muito bem definidas.” Em alguns momentos, Nelson fala assim e soa meio desolado. Lembra-se da série que fez com catálogos da Sotheby’s entre 1994 e 2006. Algumas obras acabaram vendidas pela própria casa de leilões, como se nelas não houvesse uma ironia ácida contra a instituição. Pergunta, com os ombros um tanto caídos, de que adianta questionar tanto o sistema se esse sistema arranja sempre uma forma de engolir o discurso e comercializá-lo? Mas quando o interlocutor está prestes a se juntar a ele na lamentação, o próprio Nelson muda o rumo da conversa. Ajeita a postura como um garoto na cadeira, cruza as pernas deixando aparecer improváveis meias laranja fluorescentes, ri um riso doce e conta que recentemente visitou a poderosa galeria Saatchi, em Londres, onde viu uma mostra coletiva de jovens artistas alemães bons demais. “Discurso maduro. Fiquei muito bem impressionado”. Ele, no entanto, se assustou ao se deparar com exagerada firmeza em gente tão nova.
É do tipo que desfruta tanto do esforço quanto da conquista. Mas nada que se aproxime de uma pregação zen-budista. É mais uma inquietação interior. Valoriza o erro e a ousadia. Repensa. Acima de tudo, arrisca e joga. Mente. Aos 80 anos, Nelson Leirner olha para as 100 mona lisas que acabou de fazer e não sabe se está satisfeito com o resultado.
A individual, intitulada Quadro a Quadro: Cem Monas, fica em cartaz até 20 de outubro na galeria Silvia Cintra, no bairro carioca da Gávea. Nelson levou oito meses para preparar a centena de peças, que, penduradas lado a lado, formam uma espécie de instalação. Impressas em seda pela técnica de silkscreen e emolduradas em caixas de acrílico, suas mona lisas exibem muitos acessórios adquiridos no Saara, o famoso camelódromo do Rio de Janeiro, cidade onde o artista paulistano vive desde 1997. São tiaras com pedrarias coloridas, batom, óculos, brincos dos mais variados, colares, máscaras, penas. Feitas uma a uma, as obras recuperam o trabalho artesanal: “O que me mandam de mona lisa modificada em Photoshop, você não imagina! Achei que precisava criar as minhas versões a mão.” Para realizar esse processo de banalizar o já banalizado, Nelson acumula muitos objetos em casa. Dono de uma trajetória extensa, que inclui trabalhos nas mais variadas linguagens, inclusive desenho, ele se consagrou como um mestre das apropriações. Confessa que tem de se controlar para não sair por aí comprando tudo o que vê pela frente. E isso não é modo de falar, não. Compra sapo de plástico, bibelô de louça, saco de lantejoula, estátua de santo, macaco de pelúcia, tudo sem uma lógica que consiga expressar. Acha bonito? Não necessariamente. Já tem uma ideia de obra na cabeça? De forma alguma. No prédio onde mora, reservou um apartamento inteirinho para guardar esses objetos. Funciona como um misto de depósito e ateliê, digamos assim. Também pode ser visto como um espaço de colecionador. Antes de tudo, Nelson coleciona coisas. Depois decide o que fazer com elas.
No caso das mona lisas, a inspiração veio do cinema. Dispostas em sequência, as peças remetem mesmo a takes de um único filme. Durante o período em que as produzia, o artista colocou na cabeceira principalmente longas e livros sobre o cineasta russo Andrei Tarkóvski. Quis que o trabalho esbarrasse em certa dose de loucura, o que explica a quantidade gigantesca de versões. “Mas não sei ainda se estou tão feliz porque meu filme saiu muito certinho. Tem a demência por causa da quantidade, mas não tem audácia. O efeito final ainda é muito estético.” Somaram-se a Tarkóvski as lições do filósofo francês Roland Barthes, que muito teorizou sobre fotografia e se tornou um craque em falar de uma imagem o tempo todo sem nunca exibir essa mesma imagem. “Barthes fez isso com a mãe dele. E eu fiz isso agora. Coloquei minha mãe em todas essas mona lisas.” A mãe de Nelson, Felícia Leirner, foi escultora.
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Constelação

O site da 30ª Bienal - A Iminência das Poéticas, disponibiliza um espaço para criar sua própria constelação artística. Entre, Crie e Publique.
http://jogoeducativo.30bienal.org.br/jogo/criar/
Quero ver!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Para os finais de semana de outubro


divulgação

“Animação para Todas as Idades” no Cinesábado de outubro

o Sesc Vila Mariana apresenta uma programação especial no projeto Cinesábado: “Animações para Todas as Idades”. As sessões acontecem nos dias 6, 13 e 20, sempre às 14h45, com entrada Catraca Livre.

domingo, 30 de setembro de 2012

CORES


Beatriz Milhazes e a Moda

Um universo onde formas, texturas, cores e flores em cores vivas se encontram em total harmonia.
Parece estampa da FARM, mas é o trabalho carioca da Beatriz Milhazes, que a partir de hoje abre a primavera na nossa Galeria!
Mais uma artista fabulosa da Geração 80, a pintora, gravadora, ilustradora e professora é a brasileira recordista de cifras e uma das nossas artistas mais reconhecidas com obras em museus bacanas pelo mundo, como o MoMa e o Met.
Pra ver ao vivo todas as cores de Beatriz, ela está expondo suas gravuras até dia 30 de Setembro na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro…
e aqui, na nossa Galeria, corre pra ver! ;)

domingo, 23 de setembro de 2012

Apenas para apreciar


Fotógrafo russo cria série impressionante de retratos em preto e branco

O fotógrafo russo Alexander Khokhlov explorou novas possibilidades ao fazer essa série de imagens em preto e branco. Com o uso de pintura no rosto das modelos, ele conseguiu fotos impressionantes, criando de bolas de sinuca até ilusões de ótica. Veja mais imagens no site de Khokhlov.

sábado, 15 de setembro de 2012

Concurso de Vídeos

Em  busca de uma comunicação rápida como nossos dias, e usando novas tecnologias, mídias, softwares, o festival do minuto já premia alunos de diversos ciclos. Acessem o link e escolha um vídeo que gostou, e então comente sua escolha. E se houver interesse, crie o seu, e envie ao festival. http://www.festivaldominuto.com.br/videos/awarded?locale=pt-BR

domingo, 9 de setembro de 2012

30ª Bienal de Arte

Iniciou dia 07/09/2012 no pavilhão da Bienal ( Ibirapuera ), a 30ª Bienal de Arte. A Arte Contemporânea que neste ano, homenageia o artista Arthur Bispo do Rosário que teve uma trajetória ímpar, com uma poética bem particular, contribuindo de forma bem expressiva com o meio artístico. Acessem o link e descubra o novo na Arte. 

http://www.bienal.org.br/FBSP/pt/Noticias/Paginas/30%C2%AA-Bienal---A-Imin%C3%AAncia-das-Po%C3%A9ticas.aspx


domingo, 2 de setembro de 2012

Valorizando Nossa Música


A A A
Foto Daryan Dornelles
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A Universal lançará um álbum em homenagem aos 70 anos de Caetano Veloso 
Caetano Veloso completa 70 anos no dia 7 de agosto. Neste dia, a gravadora Universal lançará um presente de alguns de seus fãs ilustres: o álbum A Tribute to Caetano Veloso, idealizado por Paul Ralphes, que vai contar com 16 releituras de brasileiros e estrangeiros.
A banda britânica The Magic Numbers ficou com a faixa You Don´t Know Medo disco icônico Transa(que acabou de completar 40 anos).
Veja o videoclipe gravado em Edimburgo, na Escócia, e dirigido por Lewis Gourlay:
Confira as faixas do álbum e seus respectivos intérpretes:
Um tributo a Caetano Veloso:
You Don’t Know Me – The Magic Numbers
Eclipse Oculto – Céu
The Empty Boat – Chrissie Hynde, Moreno, Kassin e Domenico
London London – Mutantes
Michelangelo Antonioni – Beck
Fora da Ordem – Jorge Drexler
É de Manhã – Marcelo Camelo
Quem me Dera – Devendra Banhart e Rodrigo Amarante
Alguém Cantando – Momo
Trilhos Urbanos – Luisa Maita
Janelas Abertas Nº2 – Ana Moura
Da Maior Importância – Tulipa Ruiz
Força Estranha – Miguel Poveda
Qualquer Coisa – Qinho
Peter Gast – Seu Jorge, Toninho Horta e Arismar
Espírito Santo Araçá Azul – Mariana Aydar

sábado, 25 de agosto de 2012

Cores



Conheça Txemy Basualto, um pintor espanhol sinônimo de cores vibrantes que nos permitem aprofundar a imaginação

Txemy Basualto é um artista espanhol que baseia seu trabalho em anos de observação e paciência. Desde pequeno, observa práticas e modos de artesanato até o ponto em que decidiu por contribuir e aprender cada vez mais sobre o assunto assumindo como sua vida.
[pullquote_right]“No creo que el arte se mida por cuan trabajado esté, sino por cuanto te llegue a emocionar.” (Txemy)[/pullquote_right]
É sinônimo de cor e tem como suas influências maiores Van Gogh, Pollock e Basquiat.
Um olhar sobre seu trabalho é o suficiente para perceber que a realidade composta por seus traços não fazem sentido no início mas, ao final da construção, podemos visualizar as cores vibrantes e a tênue linha entre o limite que as cores impõem à forma, permitindo aprofundar-nos na imaginação do artista.







domingo, 19 de agosto de 2012

A Arte da Literatura


Na matéria abaixo, do programa Metrópolis na TV cultura, o escritor Ziraldo comenta seu novo "filho" lançado nesta última bienal encerrada hoje (19/08/2012). Leia e comente sua memória deste incrível escritor e desenhista.



Ziraldo lança ‘Os Meninos de Marte’ na 22ª Bienal do Livro de São Paulo

Na mesma semana que o robô Curiosity da Nasa chegou a Marte, escritor estreia obra que diz que no planeta só habitam meninos
Literatura
10/08/12 11:36 - Atualizado em 10/08/12 11:41
Ziraldo
Até o dia 19 de agosto acontece a 22ª Bienal do Livro de São Paulo, um evento que o escritor Ziraldo frenquenta há um bom tempo. “Para mim é sempre uma festa”, diz. Nos últimos 32 anos ele vendeu oito milhões de livros, sempre defendendo a criação do hábito de leitura desde a infância.
Meninos e Meninas, para Ziraldo são todos Meninos e alvos de grandes histórias — ‘O Menino Maluquinho’, ‘O Menino Marrom’, ‘O Menino mais Bonito do Mundo’, ‘O Menino Quadradinho’, ‘A Menina Nina’ e ‘O Menino da Terra’ são algumas delas. E Nesta edição da Bienal do Livro, Ziraldo lança mais uma obra, ‘Os Meninos de Marte’.
Na semana em que o robô espacial Curiosity chegou a Marte, o escritor diz em seu livro: ‘Não existem habitantes em Marte, a não ser meninos e meninas’. No evento, Ziraldo também lança histórias em quadrinhos.
Meninos. “Chamo assim porque em Minas Gerais, na minha geração, quem falava criança era ‘afetado’. Criança é um nome pedante. Meu avô teve nove filhas, e ele dizia: ‘os meninos lá de casa são mulheres’”, conta.
Bienal após Bienal, o escritor sempre aparece com novidades, mas a obra que nunca foi esquecida é ‘O Menino Maluquinho’. “Toda feira me pedem para autografar o livro. Eu nunca lancei um livro que autografasse mais que ele”.
Para Ziraldo, ‘O Menino Maluquinho’ é o filho que todo mundo quer ter. “É a criança que a gente acha que foi”. Ele revela que a ideia do livro era fazer a biografia de uma criança que deu certo. “Eu acho que todo mundo que deu certo na vida foi um menino maluquinho”. 
http://www.youtube.com/watch?v=VrlKBX6yp7o&feature=player_embedded

domingo, 12 de agosto de 2012

Nelson Rodrigues

Em comemoração ao centenário de nascimento de Nelson Rodrigues, corre por todo país programações especiais e com preços convidativos para apreciar, conhecer,ou mesmo rever obras fantásticas, que podem ser pontuados no ENEM.
Fica aqui uma das sugestões teatrais com preço popular. Imperdível.
http://www.sesisp.org.br/cultura/teatro/boca-de-ouro.html

domingo, 5 de agosto de 2012

Para um Bom Retorno.

Retomando nossas atividades, apresento a vocês a matéria publicada na revista SERAFINA, da folha de São Paulo, para uma boa leitura e se atualizarem com o mundo da arte.
Boa leitura e comentários consistentes.


28/07/2012 - 22h45

Adriana Varejão ganha exposição panorâmica no MAM-SP e celebra bom momento

MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
DO RIO
Faz um daqueles dias radiosos no Rio de Janeiro. O céu e o mar se estendem pela janela do apartamento, que parece flutuar sobre a praia do Arpoador.
Adriana Varejão senta-se à mesa e faz um comentário fortuito sobre os pinguins, que neste inverno mais uma vez viajaram da Patagônia até o litoral carioca. "Olha um ali", aponto, enquanto vemos o bichinho singrar entre os poucos banhistas que se deliciam com o início cintilante da tarde de segunda-feira.
Estamos terminando o almoço para em seguida irmos ao bairro do Horto, onde a artista repagina a antiga casa em que morava para ampliar os domínios de seu ateliê.
Depois de seis anos casada com o empresário Bernardo Paz, idealizador do Instituto de Arte Contemporânea Inhotim, em MG, ela vive agora com Pedro Buarque de Hollanda, seu amigo de juventude, executivo da Conspiração Filmes e ex-marido da atriz Mariana Ximenes.

Adriana Varejão

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Murillo Meirelles
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Adriana Varejão
Os dois em breve trocarão o mar pela montanha -vão morar numa casa que compraram no Jardim Botânico, projetada por Oscar Niemeyer.
Adriana Varejão, 47, é uma das artistas brasileiras mais prestigiadas e bem cotadas no mundo de arte internacional. Em fevereiro de 2011, quando já transcorriam 25 anos de sua primeira exposição individual, uma de suas telas, intitulada "Parede com Incisões à la Fontana", foi arrematada por R$ 3 milhões num leilão da casa Christie's, de Londres.
Entre artistas latino-americanos vivos, apenas um trabalho do veterano colombiano Fernando Botero, 80, célebre por suas duvidosas figuras rechonchudas, havia atingido cifra ligeiramente mais alta -R$ 3,38 milhões.
Murillo Meirelles
Adriana Varejão
Adriana Varejão
O trabalho de Adriana não foi, contudo, confinado à categoria "arte latino-americana". Ele participou de uma sessão em companhia de artistas top como o norte-americano Andy Warhol. A revista britânica "The Economist" classificou o resultado de um "sucesso espetacular", lembrando que o vendedor, um português, teria adquirido a tela em 2002 por cerca de R$ 60 mil. A artista, é bom lembrar, não ganhou nada com a revenda na Christie's.
Tudo Azul
O lance milionário causou frisson no meio artístico e virou notícia de jornal. "Fiquei surpresa com a repercussão, mas não foi um milagre. Foi fruto de anos de trabalho consistente. E não pode ser visto como um fato isolado. Artistas de vários países já alcançavam preços bem maiores do que esse em leilões. Agora os brasileiros estão chegando. Há muitos valorizados, como Hélio Oiticica, Sérgio Camargo, Lygia Clark, Beatriz Milhazes, Vik Muniz..
Aliás, não é só fora do Brasil que essa valorização acontece, em leilões daqui também", diz ela. A pintura vendida em Londres possivelmente se transformaria no fetiche da grande panorâmica da obra de Adriana Varejão que será inaugurada no Museu de Arte Moderna de São Paulo, no próximo dia 3 de setembro, pouco antes da abertura da 30ª Bienal.
Mas o quadro não estará entre as cerca de 40 peças selecionadas para a mostra -algumas de museus como o Guggenheim, de Nova York, e a Tate Modern, de Londres, outras de acervos particulares, como o do banqueiro Alfredo Setubal, do Itaú, o principal colecionador da artista no Brasil.
Além do custo adicional de trazer a valiosa tela do exterior (o nome do comprador é mantido em sigilo, mas se sabe que está fora do país), Adriana e o curador Adriano Pedrosa optaram por privilegiar na exposição -que terá o título de "Histórias às Margens"- as associações de cor.
Uma pintura também intitulada "Parede com Incisões à la Fontana", datada de 2000, será exibida no MAM. À diferença da tela leiloada, predominantemente branca, esta é azul e formará um conjunto com obras no mesmo tom.
Editoria de Arte/Folhapress
Varejão atacada
Varejão atacada
Fascículos
Carioca de Ipanema, Adriana é filha de um ex-piloto de caça da Aeronáutica e de uma nutricionista. Na juventude pensou em estudar arquitetura, mas, numa época em que engenheiros cada vez mais assumiam projetos, terminou fazendo vestibular para engenharia, na PUC do Rio.
Quando começou o ano, viu-se ''numa daquelas salas com 47 homens e três meninas". Não demorou muito a trancar matrícula e tentar outro caminho: o desenho industrial. Inicialmente na mesma PUC, depois na Faculdade da Cidade, onde foi fisgada pelas aulas de história da arte.
Até então, suas relações com esse mundo eram marcadas por atividades nos tempos de colégio ou pela prosaica convivência com a coleção de fascículos "Gênios da Pintura", que naqueles tempos havia conquistado os lares da classe média brasileira.
Quando o artista norte-americano John Nicholson, que se mudara do Texas para o Rio, anunciou um curso na faculdade, ela decidiu fazer. Por essa época, assistiu a um filme que alimentou suas fantasias de se tornar artista -"Adeus às Ilusões", com Liz Taylor, uma pintora que mora numa cidade litorânea da Califórnia.
Naquele início da década de 1980, em meio à crise da ditadura militar e também das utopias políticas, uma nova geração de artistas se organizava em ateliês e trocava o intelectualismo conceitual da década de 1970 por uma pintura colorida, de pinceladas fortes, que seria rotulada de neo-expressionismo.
Adriana começou a frequentar o Parque Laje em 1983, mas não participou da famosa exposição "Como Vai Você, Geração 80?", inaugurada em julho de 1984, que lançou nomes como Beatriz Milhazes, José Leonilson, Leda Catunda, Luiz Zerbini e Daniel Senise.
Divulgação
"Ruína e Charque - Porto", obra de Adriana Varejão na SP Arte de 2010
"Ruína e Charque - Porto", obra de Adriana Varejão na SP Arte de 2010
Barroca
Embora simpatizasse com a nova vertente e gostasse de pintores que serviam de referência para os novos, seus interesses pessoais a levaram para outra margem da história da arte -o território do barroco, estilo que atingiu alturas no Brasil.
Uma clássica viagem às cidades históricas de Minas foi a porta que a levou para um acervo de imagens que parecia adormecido no passado colonial, fora da perspectiva da arte contemporânea e do campo de visão da nova safra de artistas plásticos.
Seguindo trilha própria, a conversa com o barroco trans-formou-se, para Adriana, numa estratégia artística que se poderia chamar de conceitual, marcada por citações, paródias e jogos óticos.
"Trazendo o barroco para a cena contemporânea", explica o crítico Luiz Camilo Osório, "Varejão repõe na ordem do dia uma pintura que não teme o artifício, a ilusão, o jogo delirante e sensual com a aparência".
Tão fértil quanto a descoberta de Minas, foi uma viagem à China, em 1992, que também deixou marcas definitivas em sua obra. A cerâmica da dinastia Song, por exemplo, é a fonte de inspiração para as superfícies craqueladas como as dos azulejões que revestem as paredes de sua impressionante galeria nos jardins de Inhotim.
Depois da retrospectiva, Adriana já tem um novo trabalho para se dedicar: o desenvolvimento de tintas óleo que correspondem a cores de peles de brasileiros. O projeto, que terá uma tiragem determinada, baseia-se numa pesquisa de 1976, na qual o IBGE pediu às pessoas que declarassem a cor de sua pele. O resultado foram 136 tonalidades, que vão da "agalegada" à "preta", passando por "quase negra", "acanelada", "morena roxa" ou "sapecada".
Caçamba
Nome consagrado, Adriana é muitas vezes procurada por jovens interessados em saber mais sobre o que seria a "carreira" de um artista. "Hoje me perguntam muito sobre a profissionalização; é mais difícil conversar sobre arte."
Talvez alguns desses curiosos se surpreendessem ao saber que a pintora, em momentos de insatisfação, já destruiu obras que poderiam ser vendidas sem maior dificuldade em leilões e galerias. Foi o que fez, por exemplo, com a pintura de uma Nossa Senhora que despejou, enrolada, numa caçamba de entulho. Ataque de raiva? "Não", ela garante.
"Não sou de dar ataques. Eu fiz friamente. Sempre fui muito exigente com meu trabalho. É difícil eu deixar sair do ateliê alguma coisa que não me satisfaça inteiramente. Às vezes retrabalho obras às vésperas de uma exposição, como fiz, em 2005, antes da abertura de uma mostra na Fundação Cartier, em Paris."
Adriana considera que "a pintura lida o tempo todo com essa dinâmica de construção e destruição; você não pode ter medo do ímpeto de destruir, porque ele também é o ímpeto de construir".
Hoje, mais madura, já está aprendendo a ser menos impetuosa -ou fria- na hora de descartar obras. "Com a maturidade a gente vai entendendo que o tempo diz muito sobre os trabalhos, é preciso aguardar para avaliar melhor. Mas, mesmo assim, outro dia eu já estava pronta para pintar por cima de uma obra que não tinha gostado muito e o Pedro não deixou. Espera, ele disse, depois você decide." Por enquanto ela está esperando.